Vamos reunir-nos na bela cidade de Coimbra, celebrizada como a cidade dos estudantes, mas também do conhecimento, onde a história, a arte e a ciência se têm entrelaçado de forma singular. Contemple-se a arquitetura da Universidade de Coimbra, fundada quase 150 anos após o nascimento de Portugal, a primogénita do nosso país, e agora Património Mundial da UNESCO, com a sua “magnânima” Biblioteca Joanina, de um opulento barroco, sita no não menos magnífico Pátio das Escolas, com uma deslumbrante vista sobre o rio Mondego. Rio esse, que inspirou poetas e trovadores. Foi nesse espírito que encomendámos uma aguarela da Universidade de Coimbra para dar origem ao cartaz do nosso Congresso, procurando captar o simbolismo, a imponência e a beleza dum edifício que tão bem representa a identidade académica da cidade e a perenidade do saber.
Coimbra ensina-nos que a ciência é herança, mas também renovação. Coimbra foi, além disso, palco de umas das mais lendárias paixões reais da nossa História, pelo que vos exorto a entrarem pelo “arco triunfal da sabedoria”, Porta Férrea do nosso congresso, com a mesma paixão pelo conhecimento e pela inovação que tem impulsionado a nossa especialidade, atravessando este limiar simbólico rumo a um programa científico exigente e plural. Das infeções sexualmente transmissíveis à psoríase, da dermatologia pediátrica à genética e à inovação terapêutica, passando pelas experiências de estágio internacional apresentadas pelos bolseiros da SPDV, pela atualização sobre manipulados e formulação magistral e pela literacia financeira aplicada à prática médica, percorremos um itinerário abrangente onde o rigor clínico se alia à reflexão crítica e ao espírito de partilha.
Este congresso reafirma que a dermatologia não é uma especialidade isolada, mas profundamente dialogante — com outras áreas médicas, com a investigação científica e com as humanidades que enriquecem a nossa prática. A medicina exige precisão técnica, mas também visão ampla e responsabilidade.
Haverá espaço para os jovens dermatologistas, cuja energia e capacidade de questionar são indispensáveis à evolução da especialidade, e para o diálogo internacional, que reforça a projeção da dermatologia portuguesa além-fronteiras. Celebramos, assim, não apenas o conhecimento científico, mas também a continuidade de uma comunidade sustentada na colaboração, na ética e na exigência académica.
Convido-vos, portanto, a participar ativamente neste congresso — a escutar, a intervir, a debater. Que Coimbra nos inspire a cultivar a curiosidade intelectual, a acuidade clínica e o espírito de comunidade.
Desejo a todos um congresso cientificamente estimulante, humanamente enriquecedor e verdadeiramente memorável.
Com estima,
Alberto Mota
Presidente da SPDV
